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Oficina sobre povos isolados é ministrada a índios Kaxinawá

Por Leandro Chaves

Entre os dias 12 a 21 de maio foi realizada, na Terra Indígena Kaxinawá do Rio Humaitá, no município de Tarauacá, a 1ª Oficina de Informação e Sensibilização sobre Povos Isolados. O evento, realizado pela Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC) em parceria com a Frente de Proteção EtnoAmbiental do Rio Envira (FPERE/FUNAI) e Governo do Estado do Acre, foi destinado às lideranças e representantes das cinco aldeias Kaxinawá presentes no território.

A oficina teve como objetivo informar o que vem acontecendo aos povos isolados; mostrar aos Huni Kui, mais conhecidos como Kaxinawá, as políticas de proteção a esses índios; e firmar um acordo com as lideranças das cinco aldeias para que participem do processo de proteção e tenham conhecimento de todas as ações desenvolvidas pelos órgãos oficiais. O evento foi destinado aos Huni Kui, devido a sua proximidade geográfica com os povos isolados.

No primeiro momento, a equipe, composta por membros da CPI/AC, Funai e Governo do Estado, visitou as cinco aldeias do território, onde aconteceram reuniões preparatórias com os representantes, professores, agentes agroflorestais e de saúde, entre outras categorias. Nas conversas, foram mostradas fotos e mapas, referentes aos isolados, onde, mais tarde, os indígenas puderam falar suas percepções acerca desses povos.

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No dia 19, na aldeia São Vicente, teve início a oficina, que durou três dias. Nela, alguns Huni Kui deram depoimentos sobre os roubos de objetos e caças que são realizados nas suas aldeias pelos isolados. No segundo dia, a equipe mapeou as regiões onde foi identificada a aproximação desses povos. Em todos os três dias de oficina, várias propostas vinham sendo discutidas para contornar a situação.

Propostas - Ao final do evento, foi formulada uma proposta de trabalho a ser realizada pela FUNAI juntamente ao Governo do Estado. Este documento propõe destinar cerca de 1/3 da Terra Indígena Kaxinawá do Rio Humaitá aos povos isolados; capacitar os Huni Kui em atividades indigenistas para que possam desenvolver um trabalho de proteção a esses índios; criar postos de vigilância com aparelhos de comunicação para fiscalizar o movimento dos isolados e possíveis invasões de madeireiros; incluir a participação dos Kaxinawá nas ações e debates que envolvam os vizinhos isolados; entre outras medidas.

“Vamos levar essas propostas à FUNAI para podermos realizá-las”, afirma o coordenador da FPERE, José Carlos Meirelles. De acordo com ele, este evento fez parte de um planejamento que visa a promoção de outras oficinas. “Acho legal todo mundo participar, inclusive os índios que moram próximos das áreas habitadas pelos isolados. Isso tudo serviu para termos uma visão geral do que eles pensam sobre o assunto”.

A 1ª Oficina de Informação e Sensibilização sobre Povos Isolados está inserida no projeto Fortalecimento dos Povos Indígenas e Conservação da Biodiversidade na Fronteira Acre/Brasil – Peru, criado pela CPI/AC e apoiado pela Rainforest Foundation da Noruega. O projeto prevê a realização de mais oficinas sobre o assunto para as outras terras indígenas vizinhas dos isolados.

O porquê do problema – As obras de infra-estrutura dos dois lados da fronteira (Brasil/Peru), como a exploração de madeira, petróleo e gás no Peru, asfaltamento de rodovias, entre outras atividades, têm causado impactos aos índios isolados que vivem nessas áreas. Isso tem provocado uma constante migração desses povos, que adentram cada vez mais para o lado brasileiro, onde várias terras indígenas, localizadas no Acre, estão demarcadas e habitadas por outros índios. Assim, poderão surgir conflitos entre esses povos, como aos poucos vem acontecendo.

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